domingo, 19 de agosto de 2012

Novo Trojan 'Shamoon' rouba seus dados e formata seu PC

Pesquisadores de segurança estão investigando um malware destrutivo, chamado “Shamoon” que é capaz de substituir o registro mestre de inicialização de um computador, além de roubar informações e apagar todos os seus dados. A Symantec suspeita que este Cavalo de Troia está sendo usado para ataques direcionados, contra empresas específicas.

 Recursos do Shamoon (Foto: Reprodução)

 primeiras informações sobre este malware, começaram a surgir nesta quinta-feira (16), a partir das empresas de antivirus. O Shamoon, que também é conhecido como Disttrack, está sendo usado em ataques direcionados contra pelo menos uma organização, no setor da energia, de acordo com a Symantec.
O malware é composto por uma pasta de 900 KB que contém um número de “recursos criptografados”, de acordo com a Kaspersky Labs. Uma delas é um driver de disco assinado pela EldoS Corp., um fornecedor de componentes para segurança corporativa, que é usado para o acesso ao disco pelos componentes do malware.

Numa análise mais aprofundada, a empresa Seculert concluiu que Shamoon ataca em dois estágios. Primeiro, ele infecta um computador conectado à internet e o transforma em um proxy para se comunicar com o servidor de controle do malware. Depois disso, ele se espalha para outros computadores da rede corporativa, rouba as informações, as transmite ao seu servidor e em seguida, executa a sua carga destrutiva, apagando arquivos e o registro de mestre de boot da máquina.
As empresas Securlet, Kaspersky e Symantec estão no rastro do malware para descobrir quem está por trás do ataque. A única até o momento que atualizou seu antivírus com a proteção contra o Shamoon, foi a Symantec.

Fonte: TechTudo

sábado, 18 de agosto de 2012

Como personalizar o toque do seu smartphone Android

Não existe nada melhor que deixar os toques padrões do celular de lado e ouvir suas músicas preferidas ao receber chamadas. Mas você sabe personalizar o toque do Android? Pensando nisso, o TechTudo preparou um tutorial fácil e rápido para você se livrar de vez daqueles ringtones chatos e aprender de vez como adicionar toques personalizados no seu smartphone Android


Passo 1. Transfira a música de sua preferência para seu celular. Pode ser do seu computador ou através de download direto no seu smartphone;

Passo 2. Certifique-se de que a faixa esteja armazenada no seu cartão SD. Para isso entre em Menu > Meus Arquivos e acesse a pasta na qual você colocou o arquivo;

Passo 3. Volte ao menu, abra o reprodutor de áudio padrão do Android e encontre sua música;

Passo 4. Selecione o arquivo desejado e deixe-o em modo de reprodução;

Passo 5. Aperte o botão de Opções do seu Smartphone e haverá um ícone chamado “Definir como” ou “Utilizar como toque”. Selecione-o e pronto, agora seu toque está personalizado!


E se você não quer colocar uma mp3 inteira para tocar no seu aparelho, você também pode cortar um trecho específico do arquivo para funcionar como toque. Para isso, existe o Ringdroid, um aplicativo gratuito que torna possível editar as músicas do seu smartphone e criar seus próprios toques personalizados.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

ESTARRECEDOR! Mensalão: o que poucos sabem, e o Brasil inteiro deveria saber

Texto esclarecedor sobre o porque de Lula não ter sido denunciado pelos procuradores da República!!!
Estarrecedor!!!
Mensalão: o que poucos sabem, e o Brasil deveria saber
Ter, 14 de Agosto de 2012 06:32

L'Imperatore Capo! Die Nazi-capo! O Rei de Banânia!

“Juízes, Polícia, Ministério Público, advogados públicos. Porque eles têm um poder de chantagear os poderes públicos. E dizem: ou você faz isso ou a gente vai criar uma tremenda encrenca.” (Trecho de entrevista do Corregedor-Geral do MPF, Eugênio Aragão, falando sobre “chantagem” para aumento de salário)

Vive-se um momento histórico com o julgamento do Mensalão. Isso todo mundo sabe. O que quase ninguém sabe é que as provas são escassas. Contra José Dirceu, apontado como o líder do esquema criminoso, não existem provas, apenas indícios e meras conjecturas. Por meio deste artigo, mostrarei, entre outras coisas - como a explicação para a declaração transcrita acima - a razão da carência de provas no processo Mensalão.

Por que o então procurador-geral da República (PGR), Antonio Fernando, autor da denúncia do Mensalão, NÃO foi sequer criticado por petista algum do alto escalão, apesar de ter imputado ao PT a tentativa de perpetuação no poder, por meio de “sofisticada organização criminosa? Além disso, ele “acusou” de chefe da organização, José Dirceu, um dos expoentes do partido situacionista e amigo pessoal de Lula. Antonio Fernando não sofreu crítica e ainda foi reconduzido no cargo pelo ex-Presidente Lula. Será que Lula e os caciques petistas nada fizeram contra Antonio Fernando porque compreenderam que ele apenas cumpriu o seu dever legal? Quem acredita nessa hipótese, provavelmente também acredita em Papai Noel, Saci Pererê, Mula sem cabeça, duendes...

Peço escusas pela ironia, mas é que a situação é muito séria e procuro amenizar para facilitar a leitura. Assinalo que eu não seria irresponsável de escrever sem conhecimento de causa, pois tenho um nome e um cargo a zelar (sou procurador da República e estou na ativa). Há 31 anos encontro-me no serviço público, ocupei diversos cargos, todos conquistados por concurso. Aliás, só na área jurídica, passei em seis concursos, sendo três em primeiro lugar.

As evidências mostram que a imputação de Antonio Fernando na denúncia do Mensalão NÃO é inverídica. Caso fosse, certamente ele teria sofrido terríveis ataques e jamais seria reconduzido. Mas não foi o fato de a imputação ser verídica que nada fizeram contra ele, pois eu fiz acusação verídica contra um integrante do PT, que resultou na primeira cassação do mandato de um parlamentar federal do referido partido, fato ocorrido no início do Governo Lula, e minha vida virou um inferno. Sofri covarde e doentia perseguição dentro e fora do Ministério Público Federal (MPF).

No meu entendimento, o que fez Antonio Fernando não sofrer nenhuma represália foi ter deixado Lula fora do rol acusatório, apesar de ele ter assinado atos normativos e documentos, escandalosamente destinados a fomentar o esquema criminoso.

Entre os vários fatos praticados por Lula que beneficiaram o esquema criminoso, consta o envio, em 2004, de mais de 10 milhões de cartas (assinadas por Lula) a aposentados, incentivando-os a tomar empréstimos consignados em folha de pagamento, que proporcionaram lucros fantásticos ao banco BMG que, segundo a denúncia, foi uma das instituições financeiras que participou da “sofisticada organização criminosa”. Só para se ter uma ideia, o referido banco, com apenas 10 agências e em curto espaço de tempo, fez milhares de empréstimos a aposentados, faturando quantia superior a três bilhões de reais, ganhando da Caixa Econômica Federal, com suas mais de duas mil agências. Na formalização do convênio que beneficiou o BMG, passaram por cima de tudo, inclusive, exoneram uma servidora do INSS que se recusou a publicar o fraudulento convênio celebrado em tempo recorde.

A ausência de Lula na peça acusatória enfraqueceu demasiadamente a denúncia, pois o que também deveria ser atribuído a ele foi imputado exclusivamente a José Dirceu. Ocorre que este, ao contrário de Lula, não assinou documento algum, sequer um bilhete. Assim, não há nenhuma prova no processo que aponte a participação do ex-chefe da Casa Civil. O que há são frágeis indícios e meras conjecturas de forma que o Supremo Tribunal Federal (STF) terá que mudar totalmente a sua jurisprudência para poder alcançá-lo. É por isso que a defesa insiste tanto que o julgamento seja técnico, pois juridicamente é quase impossível condená-lo. Faltam provas.

Para condenar José Dirceu, alegou-se a aplicação da teoria do domínio do fato, que é adotada pela maioria dos países democráticos. Ocorre que a aplicação dessa teoria não dispensa a produção de provas; caso contrário, estar-se-ia orbitando na seara da responsabilidade penal objetiva, que é repelida pelo ordenamento jurídico dos países democráticos, incluindo o Brasil.

Antonio Fernando, além de deixar o ex-Presidente da República fora da acusação, inviabilizou a produção de provas efetivas (e não meras conjecturas), aptas a comprovar a existência da “sofisticada organização criminosa”. Vou indicar alguns itens (são muitos) que apontam nessa direção:

1) Marcos Valério destruiu provas (queimou notas fiscais), 19 membros da CPMI (tinha 20 membros) solicitaram a Antonio Fernando que pedisse a prisão dele. Antonio Fernando não o fez, alegando que não havia elementos e nem necessidade da prisão. Nos meus 16 anos de atuação no MPF na área criminal, nunca vi um investigado que tenha dado tanto motivo para ser preso e não foi.

2) – A esposa de Valério foi flagrada tentando sacar milionária quantia junto a um banco em Belo Horizonte. Desesperado, o “operador do Mensalão” procurou Antonio Fernando e se colocou à disposição para colaborar nas investigações, objetivando os benefícios da delação premiada (estava com muito medo de ser preso, juntamente com a esposa). Antonio Fernando recusou a colaboração de Valério, alegando que a delação seria “prematura e inoportuna”. Tudo indica que ele não queria que Valério falasse. A título de informação, a queda do ex-governador do DF (José Arruda) somente foi possível graças à colaboração de Durval Barbosa (operador do mensalão do DEM) que, beneficiado pela delação premiada, entregou provas que derrubaram o ex-governador. Se não fosse isso, Arruda jamais teria caído.

3) - Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, em entrevista a um jornal de grande circulação, disse que Marcos Valério lhe afirmara que, se ele (Valério) falasse o que sabia, derrubaria a República. Em vez de Antonio Fernando propor delação premiada ao ex-secretário, cujo nome é repetido na denúncia 50 vezes, propôs a ele suspensão do processo em troca de prestação de serviço à comunidade o que, obviamente, foi prontamente aceito e Sílvio Pereira ficou fora do processo, não tendo que prestar depoimento. Para um bom entendedor...

4 - Para sepultar de vez a possibilidade de produzir provas efetivas que demonstrassem, juridicamente, a existência da “sofisticada organização criminosa”, Antonio Fernando, em vez de arrolar Roberto Jefferson como testemunha, uma vez que foi quem levou a público o esquema criminoso, ou então propusesse a ele a delação premiada, preferiu apenas acusá-lo. Assim, na condição de réu, sua palavra tem pouco valor para incriminar José Dirceu.

5 - Curiosamente, nas alegações finais, o atual PGR, Roberto Gurgel, por diversas vezes, utiliza os depoimentos de Jefferson “como prova” do envolvimento de José Dirceu. Por exemplo, à fl. 44, item 72, das alegações finais apresentadas por Gurgel, ele transcreve trecho do depoimento de Jefferson, no qual este afirma que, em 2005, Dirceu teria lhe dito que, juntamente com Lula, recebeu um grupo da Portugal Telecom para tratar do adiantamento de oito milhões de euros que seriam repartidos entre o PT e o PTB. Veja-se trecho da declaração de Jefferson transcrito nas alegações finais por Gurgel:


“QUE em um encontro com JOSÉ DIRCEU na Casa Civil ocorrido no início de janeiro de 2005, o então ministro afirmou que havia recebido, juntamente com o Presidente Lula, um grupo da Portugal TELECOM e o Banco Espírito Santo que estariam em negociações com o Governo brasileiro (...)” Grifei.

6 - Ora, se esse depoimento de Jefferson é verdadeiro e pode ser utilizado como prova, conforme entende o PGR, considerando que Lula participou da reunião, por que ele não foi acusado? A presença de Lula na trama para angariar recursos com a Portugal TELECOM era meramente figurativa, uma espécie de boneco ambulante, totalmente manipulado e dominado por José Dirceu, por isso o ex-Presidente da República não fora acusado? Ainda que essa hipótese fosse verdadeira, pelo artigo 29 do Código Penal, Lula deveria figurar no rol dos acusados.

O ex-PGR Antonio Fernando, assim como o atual, Roberto Gurgel, pertencem ao grupo tuiuiú. Tuiuiú é uma ave do Pantanal que tem dificuldade para alçar voo. É assim que se consideravam alguns procuradores na época do ex-PGR Geraldo Brindeiro e, por isso, eles mesmos se denominaram de tuiuiú. Os tuiuiús são extremamente afinados com o PT. O grupo chegou ao poder com Claudio Fonteles, primeiro PGR nomeado por Lula. Fonteles foi ferrenho defensor de Lula (e do PT). Perseguiu impiedosamente procuradores que de alguma forma tentaram investigar/processar (de verdade e não por faz de conta) integrantes do Partido do governo. Por exemplo, um pouco antes de vir a público o escândalo do Mensalão, um procurador tentou obter de Carlinhos Cachoeira um vídeo que poderia alcançar Dirceu, então chefe da Casa Civil. Cachoeira gravou o procurador e o caso foi a público.

O procurador sofreu terrível perseguição dos tuiuiús, sob a alegação de que não poderia ter ouvido Cachoeira à noite. Depois de escapar da estapafúrdia acusação, o procurador pediu exoneração do MPF, faltando pouco tempo para a aposentadoria. Foram vários procuradores que sofreram perseguição. Por outro lado, outros foram favorecidos. Por exemplo, um procurador, que costumava ocupar espaço na mídia acusando integrantes do governo FHC, solicitou “ajuda financeira” a diversas empresas. Para tanto, utilizou uma estagiária da Procuradoria que enviava ofícios às empresas beneficiadas com o trabalho institucional do MPF. O procurador em questão chegou a receber dinheiro de Daniel Dantas. Tudo foi devidamente comprovado, mas ele nunca foi responsabilizado.

Fonteles, sem nenhum amparo legal, por meio da portaria “reservada” nº 628, de 20 de outubro de 2004, criou um disfarçado serviço de inteligência no MPF; concedeu função gratificada a pessoas sem vínculo com a Administração Pública como, por exemplo, para que um garçom cursasse faculdade, Fonteles deu a ele uma função gratificada, à revelia da lei. Apesar de Claudio Fonteles ter agido como um soberano, ignorando as restrições legais, algumas vezes ele recuava. Por exemplo, os tuiuiús queriam mandar embora um procurador novato que caiu na antipatia deles. Na votação no Conselho Superior do MPF, Fonteles, como presidente do Colegiado, chegou a votar duas vezes para destruir a carreira do procurador, mas desistiu, pressionado por conselheiros que apontavam a flagrante violação à lei.

Os sucessores, Antonio Fernando e Roberto Gurgel, são mais ousados do que Fonteles. Eles não recuam. Em agosto de 2004, Fonteles queria promover a subprocurador-geral da República, Eugênio Aragão, procurador que passara os últimos anos no exterior cursando doutorado. Pelas regras da promoção por merecimento, as chances do referido procurador seriam ínfimas, pois os procuradores concorrentes permaneceram na batente do serviço, enquanto que o preferido de Fonteles estudava na Alemanha.

Fonteles colocou a promoção para votação às pressas porque, pouco tempo depois, os tuiuiús ficariam em minoria no Conselho Superior, onde é realizada a votação. Membros do Conselho que não faziam parte do grupo dos tuiuiús promoveram questão de ordem, exigindo o cumprimento da lei.

Diante da embaraçosa situação, Claudio Fonteles recuou, mas Antonio Fernando e Roberto Gurgel não. Depois de muita discussão, uma conselheira, que não fazia parte do grupo tuiuiú, pediu vista do processo. Tal pedido acabava com a pretensão de promover Eugênio Aragão, pois quando o processo voltasse a julgamento, os tuiuiús, que na época tinham seis membros no Conselho (o colegiado tem 10 integrantes), estariam em minoria, pois, logo em seguida, haveria (como de fato houve) renovação na composição do Conselho e dois novos membros, não pertencentes ao grupo tuiuiú, tomariam o lugar de dois tuiuiús.

Para possibilitar o imediato “julgamento” do processo de promoção, Antonio Fernando e Roberto Gurgel tiveram a “brilhante” ideia de submeter o pedido de vista à votação. Isso mesmo. Violando flagrantemente o regimento interno do Conselho, que permite vista em qualquer processo, eles alegaram que em processo de promoção não é possível pedido de vista. Realizada a votação, por seis votos (exatamente os seis tuiuiús) a quadro, decidiram que não caberia pedido de vista em processo de promoção. Um absurdo.

Negado o pedido de vista, o processo foi posto em votação e o preferido de Fonteles, Eugênio Aragão, restou promovido. O escandaloso fato ocorreu na Sexta Sessão Ordinária de 2004, do Conselho Superior do MPF.

Em novembro de 2005, a imprensa noticiou que Eugênio Aragão e o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), órgão do Ministério da Justiça, na época, sob a tutela de Márcio Thomaz Bastos, o mesmo que depois se tornou defensor do Carlinhos Cachoeira, influenciaram autoridades americanas para não fornecerem à PF documentos relativos à movimentação financeira de Duda Mendonça no exterior, investigado no inquérito do Mensalão.

O relatório que informava a atuação de Eugênio Aragão atrapalhando as investigações da PF foi assinado por quatro delegados e dois peritos. Instaurou-se o inquérito administrativo nº 1.00.001.000116/2006-87 contra Eugênio, mas a comissão concluiu que não havia provas para puni-lo. O relator do inquérito no Conselho entendeu que havia provas, mas ocorreu a prescrição.

Eugênio Aragão atualmente é corregedor-geral do MPF. Ele, como todo tuiuiú, ocupa poleiro alto na cúpula da Instituição e é bastante afinado com o Governo. Ano passado, logo após assumir como corregedor, deixou transparecer (exceção, pois os tuiuiús costumam disfarçar muito bem) o afinamento com a situação. Por causa do movimento em prol de aumento de salário, ele disse que juízes, policiais, membros do Ministério Público e advogados públicos chantageiam o Estado. Vejamos trecho da entrevista do referido tuiuiú:

“A Polícia Federal e o Ministério Público, o Judiciário, os Auditores Fiscais. As carreiras que hoje têm poder de pressão sobre o Estado e sobre suas instituições são as que mais são valorizadas. Ou seja, juízes, Polícia, Ministério Público, advogados públicos. Porque eles têm um poder de chantagear os poderes públicos. E dizem: ou você faz isso ou a gente vai criar uma tremenda encrenca.”

Eugênio Aragão é um tuiuiú que não sabe disfarçar como os outros sabem. Assim, pelo fato de ele não saber disfarçar, não foi reeleito para o Conselho Superior do MPF. Coisa rara, pois é muito difícil um tuiuiú perder uma eleição. Para se ter uma ideia, a Constituição Federal não prevê eleição para escolha do procurador-geral da República. Todavia, os “democráticos” tuiuiús inventaram uma eleição que escolhe três nomes para “ajudar” o Presidente da República na nomeação do procurador-geral. Até hoje, todos os que ficaram em primeiro lugar na lista de votação foram nomeados procurador-geral. Um detalhe interessante é que só são eleitos tuiuiús e o primeiro lugar da lista é sempre o procurador-geral que está no cargo ou quem ele indique.

Embora Eugênio Aragão tenha perdido a eleição para o Conselho no ano passado, ficou pouco tempo sem cargo elevado na cúpula do MPF. Dois meses depois, foi nomeado corregedor-geral. Os tuiuiús transformaram a cúpula do MPF em propriedade particular. Quem não é tuiuiú ou simpatizante do grupo não tem vez. Eles ocupam todas as funções da cúpula, bem como onde o MPF tem representação como no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A audácia é tão grande que até o filho do Antonio Fernando foi assessor de uma conselheira do CNMP. Ou seja, o órgão Colegiado que tem a missão de combater o nepotismo abrigava como assessor o filho do Presidente.

Aliás, a exemplo do filho do Lula que parece ser um fenômeno nos negócios, o filho de Antonio Fernando é um fenômeno no serviço público. Isso porque, quando terminou o mandato do pai no CNMP, ele ocupou o cargo de assessor no Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) e quem o nomeou foi o então procurador-geral, Leonardo Bandarra, que hoje está afastado da função, acusado de corrupção. Mas o menino prodígio não ficou por muito tempo no MPDFT, alçou voo e foi ser assessor na Vice-Procuradoria-Geral Eleitoral, onde reina a tuiuiú Sandra Cureau, vice-procuradora-geral Eleitoral. Se os tuiuiús continuarem no poder, esse rapaz vai muito longe...

A “briguinha” entre petistas e tuiuiús, que a imprensa tem divulgado ultimamente, tudo indica, é só aparência. Na prática, a realidade é outra. Citarei alguns episódios, entre muitos ocorridos, que evidenciam essa hipótese. Vários procuradores da República pediram ao PGR, Roberto Gurgel, que arguisse a suspeição do ministro Dias Toffoli. Apesar da notoriedade da suspeição (e até mesmo do impedimento), Gurgel preferiu não arguir “para não atrasar o julgamento”. Ora, o MPF, além de titular da ação penal, é fiscal da lei. Assim, tem o dever de agir de acordo com a ordem jurídica.

Com efeito, o PGR jamais deveria silenciar diante de hipóteses indicativas de parcialidade do julgador (suspeição e impedimento são hipóteses legais que indicam parcialidade), mormente em caso tão importante. A possibilidade de atraso no julgamento não justifica o descumprimento da lei. Daí, como a norma prevê que determinadas situações importam em comprometimento da imparcialidade do julgador, o fiscal da lei não pode se omitir, ainda que sua atuação resulte em “atraso no julgamento”. Atraso, aliás, que seria pequeno (no máximo alguns dias), insignificante diante da dúvida eterna que pairará sobre a imparcialidade não aferida pela Corte.

No final da “sustentação oral” na Ação Penal do Mensalão, o PGR, Roberto Gurgel, pediu a expedição de mandados de prisão, imediatamente após o julgamento. Ora, Gurgel, assim como qualquer estudante de Direito, sabe que a Constituição Federal alberga o princípio da presunção de inocência, isso quer dizer que o condenado só pode ser preso, após o trânsito em julgado da decisão condenatória. Apesar de o STF ser a última instância do Judiciário, as suas decisões estão submetidas ao mesmo princípio constitucional, ou seja, elas também devem passar pelo crivo do trânsito em julgado para serem executadas.

Assim, o trânsito em julgado não ocorre com o fim do julgamento, uma vez que depende da publicação do acórdão e dá ausência de recurso (mesmo perante o STF, é cabível recurso após qualquer julgamento). Dessa forma, caso houvesse, de fato, interesse na prisão dos acusados, principalmente, a de José Dirceu, Gurgel justificaria o pedido, fundamentando a pretensão no artigo 312 do Código de Processo Penal (assegurar a aplicação da lei penal). Assinalo que não seria difícil justificar essa hipótese.

Roberto Gurgel tão somente pediu a emissão de mandado de prisão, sem sequer apresentar justificativa alguma. Agiu como o seu antecessor (Antonio Fernando), que fez de tudo para não pedir a prisão de Marcos Valério, quando ele destruía provas. Depois, ao ofertar a denúncia, sem justificativa alguma, pediu a prisão de todos os acusados, sabedor de que jamais seria decretada, pois seria impossível realizar a instrução processual com elevado número de acusados presos. Sabia que o STF iria negar, como de fato negou. Ou seja, deixou de cumprir a lei, pois deveria ter pedido a prisão de Valério no momento oportuno e ainda jogou para a galera, requerendo decreto prisional em momento inoportuno, deixando a impressão de que ele fez a sua parte, mas o STF não quis prender. É muita...

São incontáveis os casos que demonstram a extrema ousadia de os tuiuiús “justificarem” suas extravagantes atitudes. Vou contar mais um caso que ocorreu recentemente. Roberto Gurgel engavetou o Inquérito policial 042/2008 (Operação Vegas) por quase três anos. Instado pela CPMI a justificar a omissão, ele respondeu, por escrito, invocando os princípios da operação controlada (hipótese prevista na Lei 9.034, art. 2o, inciso II, que permite o retardo da atuação policial), ou seja, o engavetamento, na justificativa de Gurgel, não foi omissão, mas sim “ação controlada”. Curioso é que somente ele e a sua esposa, que é subprocuradora-geral da República e o auxilia nos casos mais importantes, sabiam da “operação controlada”. O STF não sabia, a Polícia Federal não sabia, os procuradores da República que atuam na primeira instância e o juiz federal também não sabiam. Só o casal sabia da “operação controlada”.

Incrível é que Gurgel ainda teve a coragem de dizer que, graças à sua “estratégia” (de engavetar o inquérito), o esquema criminoso de Cachoeira foi desvendado. Veja-se o que ele disse no ofício encaminhado ao presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo: “Se assim não tivesse agido a Procuradoria Geral da República, não se teria desvendado o grande esquema criminoso protagonizado por Carlos Cachoeira.” Ora, a operação que resultou na prisão de Cachoeira ocorreu em outra investigação (Operação Monte Carlo – inquérito policial 089/2011), instaurada porque Gurgel engavetou a primeira investigação (Operação Vegas – inquérito policial 042/2008). A título de informação, não acredito que o engavetamento da investigação foi para favorecer o ex-senador Demóstenes Torres. A intenção, com certeza, foi outra...

Peço desculpas pela extensão do texto, mas o assunto é muito importante para ser tratado em poucas linhas. Enfatizo que escrevi o mínimo, pois as barbaridades praticadas pelos tuiuiús são inúmeras. Eles sabem dissimular muito bem. Comportam-se como se fossem serenos, equilibrados, justos. Na verdade, praticam verdadeiras atrocidades, seja perseguindo, seja favorecendo. Eles são extremamente ousados, basta ver que Gurgel engavetou a Operação Vegas por longo tempo e ainda teve a ousadia de dizer que se tratava de “operação controlada” e, graças à sua “estratégia”, o esquema de Cachoeira foi desvendado. O mesmo eles estão fazendo com o Mensalão. Deixaram Lula fora da acusação e fizeram de tudo para não produzir provas; porém, caso o STF condene mesmo sem provas, eles cantarão vitória e dirão que a condenação ocorreu graças ao trabalho deles. Contudo, se o STF mantiver a sua jurisprudência e absolver, os tuiuiús dirão que a culpa é do Supremo que não pune.

Concluo este artigo dizendo que não inventei nada (tenho prova de tudo que afirmo), inclusive ofertei representação contra o ex-PGR Antonio Fernando, pelo fato de ele não ter incluído Lula na denúncia, apesar da abundância de provas contra o ex-Presidente da República. Os tuiuiús arquivaram a minha representação sob pífios argumentos. Posteriormente, em abril de 2011, representei ao PGR, Roberto Gurgel, contra o ex-Presidente Lula. Curioso é que, em determinados casos, Gurgel age rápido. Por exemplo, ele recebeu uma representação contra um procurador que é odiado pelos tuiuiús. Imediatamente ele despachou, designando um procurador para tomar as medidas criminais contra o procurador perseguido.

No caso da representação que fiz contra Lula, Gurgel engavetou por um ano e dois meses. Depois de eu muito insistir sobre o andamento da representação, ele me enviou ofício, informando que a arquivou porque os fatos que imputo a Lula estão sendo apurados no inquérito 2.474, em trâmite no STF. Esse inquérito, que tem pertinência com o esquema do Mensalão, tramita no Supremo desde março de 2007.

Manoel Pastana

Autor do livro autobiográfico De Faxineiro a Procurador da República

Degelo no Ártico ruma para novo recorde

No próximo mês a cobertura de gelo no Ártico deve apresentar a menor extensão já registrada, batendo o recorde anterior, de setembro de 2007.

Um fenômeno natural, as geleiras no Ártico retraem no verão, alcançando seu mínimo em setembro. Porém, nos últimos anos, este degelo tem sido cada vez mais extremo. Se o declínio continuar, os verões no Ártico podem não ter gelo em 2030, preveem pesquisadore.

Números do Centro Nacional de Dados sobre o Gelo e a Neve, de Boulder, Colorado, mostram que a atual extensão do gelo no Ártico é menor do que na mesma época de 2007, uma conclusão corroborada por informações do Instituto Meteorológico Dinamarquês.

"Não me surpreenderia se tivéssemos um [recorde] mínimo neste ano", comentou SeymorLaxon do UniversityCollege London, que publicou resultados de dados de satélite sobre o volume do gelo no Ártico. Eles indicam que, nesta oscilação entre inverno e verão, o Ártico perdeu até 900 Km cúbicos de gelo por ano desde 2004.

A baixa de 2007 foi intensificada por uma cobertura de nuvens abaixo do normal, com maior calor do sol alcançando o gelo.

Outros estudos provavelmente concluirão que condições anormais contribuíram também para a baixa deste ano. Uma nova análise indica que pelo menos 70% do gelo perdido entre 1979 e 2010 teve como causa o aumento da concentração de gases do efeito estufa na atmosfera (Environmental ResearchLetters, DOI: 10.1088/1748-9326/7/3/034011).

Pesquisadores japoneses publicaram um artigo na edição de 9 de julho de 2012 do Geophysical Research Letters alegando que mesmo com melhorias nas modelagens climáticas, a cobertura de gelo ainda está derretendo mais rápido do que o previsto.

por Michael Marshall, do New Scientist
http://envolverde.com.br/noticias/degelo-no-artico-ruma-para-novo-recorde/

O CÔNSUL E A CONSUL (história)

COMO NASCEU A CONSUL

A história da Consul (sem o acento circunflexo), é uma prova de que “amigo é pra essas coisas”.

Karl Renaux (1862-1945) nasceu no Grão-Ducado de Baden, de onde veio metade dos imigrantes alemães de Brusque. Chegou ao Brasil com 20 anos, em 1882. Em 1892, já próspero comerciante em Brusque, decidiu transformar numa fábrica de tecidos a experiência de tecelões alemães e poloneses que lá viviam como agricultores.

Com ousadia, a Fábrica de Tecidos Carlos Renaux começou com rudimentares teares de madeira, logo depois substituídos por teares mecânicos importados da Europa. Karl teve onze filhos. Casou-se segunda e terceira vezes, sobrevivendo sempre às suas esposas. Chefe republicano em Santa Catarina, chegou a ser condenado à degola pelos revolucionários federalistas de 1893, mas o alemão “pica-pau” foi salvo por um amigo “maragato”.

Em busca de novas tecnologias, Karl Renaux vivia a maior tempo na Alemanha, onde foi cônsul do Brasil. Ao retornar, dirigiu as indústrias até 1937, quando as colocou definitivamente aos cuidados dos filhos.

Segundo a história oral, ao voltar definitivamente para o Brasil o velho Karl não conseguia se readaptar com o verão senegalesco de Brusque. Sempre atento ao futuro, num certo dia de mormaço Karl pediu a um dos seus engenheiros alemães que inventasse um “refresco”.

Rudolfo Stutzer seria o nome desse técnico que inventou qualquer coisa parecida com o que chamamos hoje de “ar condicionado”. Não satisfeito com a refrigeração da mansão do industrial, Stutzer teria proposto ao amigo Karl um negócio bem mais ousado: fabricar geladeiras!

Considere-se aqui que o primeiro refrigerador artificial conhecido foi demonstrado por Willian Cullen, um médico, químico e físico escocês, na Universidade de Glasgow, em 1748. O primeiro refrigerador doméstico foi produzido em 1913, em Chicago, por Fred W. Wolf Junior, e não foi um sucesso comercial.

Entusiasmado, e sentindo os resultados práticos na própria sala, o Cônsul Carlos Renaux abraçou a ideia de Rudolfo Stutzer. “Um negócio inviável”, teriam dito os filhos do Cônsul, descartando a participação da família na montagem da “tal de geladeira a querosene”.

Decepcionado, Rudolfo Stutzer teria se mudado de mala e “pompa da chops” para Joinville. Cônsul era um homem tenaz: não se associou “ao negócio inviável”, mas emprestou dinheiro do próprio bolso para o amigo montar a ideia em Joinvile.

Conforme a história oficial, numa época de escassez de manufaturas por causa da Segunda Guerra Mundial, o projeto ganhou base tecnológica quando Rudolfo Stutzer recebeu em sua oficina uma geladeira quebrada. Naquela época esse tipo de conserto era difícil, pois os refrigeradores eram importados. Brava gente, depois de desmontar e esmiuçar as peças do aparelho, Stutzer e outros dois amigos (Guilherme Holderegger e Wittich Freitag) perceberam que eram capazes de fazer um igual.

Dito e feito: a ideia ganhou chão de fábrica. No entanto, faltava um pequeno grande detalhe: o nome da geladeira.

“Amigo é para essas coisas”, e Rudolfo Stutzer bateu o martelo: “Vai se chamar Cônsul, em homenagem ao meu falecido amigo Cônsul Carlos Renaux”.

Assim decidido, um outro detalhe se apresentou: pegaram então o nome Cônsul e tentaram esculpi-lo em madeira (a réplica da assinatura de Cônsul Carlos Renaux), para que fosse colado na porta do refrigerador. Com uma serra tico-tico, só não conseguiram esculpir o acento circunflexo da palavra. Diante do problema, ficou decidido que a marca não teria acento. E assim ficou até hoje.
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A história pode não ser exatamente essa, mas assim me foi contada, assim me parece verossímil. E se a prova de amizade não foi bem assim, “Põe na Consul”.
FONTE: Paraná-Online
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Essa "história" acima, recebi via email, do meu amigo Carlos Garcia.
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NO SITE OFICIAL DA CONSUL

EVOLUÇÃO VISUAL
O primeiro logotipo da marca era apenas a assinatura do cônsul Carlos Renaux, fundador da marca. Em 1955, a marca ganhou uma chama em seu logotipo, que representava o sistema de absorção do querosene usado nos refrigeradores. Um novo logotipo da marca foi criado em 1958. A chama, representada no logo anterior desapareceu e a marca ganhou um traço mais arrojado para representar os modernos refrigeradores elétricos. 
Outra mudança ocorreu em 1963, quando o logotipo da Consul ficou mais instigante com a adição de um cristal de neve, que em um segundo olhar se transforma num cubo de gelo. Uma idéia criativa e original para ressaltar a marca de refrigeração Consul. Em 1967 surge o Leão Marinho, o primeiro “garoto propaganda”. A ideia era reforçar a identidade da marca entre os produtos de refrigeração. Ele aparecia vestido de fraque e cartola, livremente inspirado na figura do cônsul Carlos Renaux, que deu origem ao nome da marca.
Em 2004, a marca adotou nova identidade que incluía fortes símbolos como a musicalidade, imagens e cores bem brasileiras, que traduziam os atributos da Consul: a alegria e o otimismo, sempre ligados às raízes populares do país. O novo logotipo também remetia à alegria e versatilidade do país por meio do movimento do sorriso e das cores verde e laranja.














FONTE: CONSUL

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

PERIGOS DA GUERRA CIBERNÉTICA

Sem milagres para a guerra cibernética

Seria prazeroso escrever sobre ipês rosa floridos prenunciando a primavera, que chega em setembro. Ou sobre o comovente trabalho de músicos que criam orquestras de jovens em favelas. Mas que fazer? Jornais estão povoados de notícias sobre ameaças de uma guerra cibernética que pode levar a uma catástrofe nuclear planetária. Sobre robôs que podem, por conta própria, disparar um míssil atômico. Sobre hackers capazes de paralisar sistemas financeiros, de transporte, de saúde, de comunicação, em escala planetária.

No jornal O Estado de S. Paulo, o embaixador Rubens Barbosa já escreveu sobre o tema (20/6). O ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Kenneth Rogoff, também tratou da vulnerabilidade da economia global a ataques cibernéticos, com terríveis consequências (6/7). Nestes tempos em que já estamos confrontados por tantos limites inultrapassáveis – crises de finitude de recursos naturais, da água, de terras, de alimentos, etc. -, que se fará para enfrentar a ameaça de "armagedon cibernético" mencionada pelo professor da universidade canadense de Toronto, Don Tapscott (Folha de S.Paulo, 22/7)?

Lembra o embaixador Rubens Barbosa o pensamento de Von Clausewitz, que já na primeira metade do século 19 escrevia que a guerra é a continuação da política por outros meios – tal como já começa a ocorrer nos dias de hoje, com a cibernética e o uso de instrumentos eletrônicos cada vez mais sofisticados. Estados Unidos e Israel já os teriam utilizado para interferir no programa iraniano de enriquecimento de urânio, desativando 5 mil centrífugas. China e Estados Unidos trabalham com programas capazes de invadir sistemas sofisticados e desenvolvem comandos cibernéticos, programas de segurança nacional para informações, formatos de impedir a escalada de ataques cibernéticos.

Que pensa fazer o Brasil nesse quadro?

Já o professor Kenneth Rogoff pergunta o que acontecerá com o uso de vírus cibernéticos comandados por anarquistas e terroristas, ou com catástrofes naturais causadas por interferências em programações, ou por satélites assim danificados, paralisando redes elétricas, bancos de dados do sistema financeiro, indústrias de tecnologia. E medita: se governos desenvolvem vírus com esse poder destruidor, que se fará? Confiar na sorte?

O panorama é assombroso. A instituição Royal Pingdom, citada pelo jornal The New York Times (Estado, 12/7), calculou para 2010 um número de 107 trilhões de mensagens eletrônicas circulando pelo mundo, onde no ano passado já havia 3,1 bilhões de contas de e-mail. Que acontecerá no mundo, pergunta Don Tapscott, se a nova geração usuária desse meio tem mais de 50% de seus membros desempregados?

Eugene Kaspersky, ex-funcionário do Ministério de Defesa da antiga URSS, hoje diretor da maior empresa de antivírus do mundo, propõe a criação de uma organização internacional de segurança cibernética para impedir que prossiga a guerra em que já estão envolvidos Estados Unidos, China, Grã-Bretanha, Índia, Alemanha, França, as duas Coreias e mais países, que têm unidades de guerra cibernética, de criação de supervírus, naves de guerra não tripuladas e outras armas. Segundo ele, "estamos sentados num barril de pólvora e serrando o galho que sustenta a internet" (Folha, 29/7). As hostilidades podem implicar perda de informações de Forças Armadas, perda de propriedade intelectual de empresas, etc.

Kennette Benedict, editora do Bulletin of the Atomic Scientists, diz na revista New Scientist (30/6) não ter dúvida de que os Estados Unidos "estavam por trás" do ciberataque ao Irã, com o objetivo de impedir o desenvolvimento de sistema de enriquecimento de urânio. Segundo ela, "estamos numa nova era bélica, de fortes ligações com a corrida secreta para construir bombas atômicas". O ataque ao Irã baseou-se no sistema de software Stuxnet, desenvolvido por Estados Unidos e Israel. Ele continha malwares (códigos agressivos) que tinham como alvo sistemas específicos de controle industrial, do tipo que controla centrífugas utilizadas para enriquecer urânio.

Faz lembrar o final da 2.ª Guerra Mundial, quando cientistas alertaram o governo norte-americano sobre as consequências dramáticas que teria atirar bombas nucleares sobre o Japão – inclusive uma corrida nuclear entre Estados Unidos e URSS -, diz Kennette Benedict. Mas outros cientistas e autoridades temiam que a Alemanha pudesse chegar antes ao domínio da tecnologia nuclear. Não vingou, assim, a tese de que a energia nuclear deveria ser posta sob controle internacional, talvez mesmo na ONU, que estava sendo criada.

A situação atual seria semelhante, por falta de controle internacional no campo cibernético. Para a editora, é "irônico que o primeiro uso conhecido da cibernética para a guerra seja exatamente para impedir a proliferação de armas nucleares: uma nova era de destruição em massa pode começar num esforço para encerrar um capítulo da primeira era de destruição em massa".

Se a política internacional não consegue avançar nesse terreno da cibernética e da respectiva guerra, que se fará? Acreditar em milagres? Na mesma edição da New Scientist, ao lado do texto de Kennette Benedict – coincidência ou não -, o líder da Associação Racionalista Indiana, Sanal Edamarku, conta haver sido convidado para desvendar um suposto milagre numa igreja em Mumbai, onde água brotava de uma imagem e atraía multidões. Pesquisou até descobrir que se tratava de água das instalações sanitárias, canalizada por um sistema de drenagem que passava sob a base da imagem, mas estava bloqueado. Por capilaridade, diz ele, a água infiltrou-se nas paredes adjacentes à estátua e, por um orifício, corria para os pés da imagem.

É possível que haja milagres. Mas a política internacional terá de se desdobrar na nova guerra, que já está no nosso cotidiano.
por Washington Novaes
http://envolverde.com.br/sociedade/artigo-sociedade/sem-milagres-para-a-guerra-cibernetica/

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Sucateado, Exército não teria como responder a guerra, dizem generais

Assinada em 2008, a Estratégia Nacional de Defesa (END) prevê o reaparelhamento das Forças Armadas do país em busca de desenvolvimento e projeção internacional, mirando a conquista de um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). No entanto, poucas medidas previstas no decreto tiveram avanços desde então.

O Exército, que possui o maior efetivo entre as três Forças (são 203,4 mil militares), está em situação de sucateamento. Segundo relato de generais, há munição disponível para cerca de uma hora de guerra.

O G1 publica, ao longo da semana, uma série de reportagens sobre a situação do Exército brasileiro quatro anos após o decreto da END, assinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foram ouvidos oficiais e praças das mais diversas patentes - da ativa e da reserva -, além de historiadores, professores e especialistas em segurança e defesa. O balanço mostra o que está previsto e o que já foi feito em relação a fronteiras, defesa cibernética, artilharia antiaérea, proteção da Amazônia, defesa de estruturas estratégicas, ações de segurança pública, desenvolvimento de mísseis, atuação em missões de paz, ações antiterrorismo, entre outros pontos considerados fundamentais pelos militares.

O Exército usa o mesmo fuzil, o FAL, fabricado pela empresa brasileira Imbel, há mais de 45 anos. Por motivos estratégicos, os militares não divulgam o total de fuzis que possuem em seu estoque, mas mais de 120 mil unidades teriam mais de 30 anos de uso.

Carros, barcos e helicópteros são escassos nas bases militares. O índice de obsolescência dos meios de comunicações ultrapassa 92% - sendo que mais de 87% dos equipamentos nem pode mais ser usado, segundo documento do Exército ao qual o G1 teve acesso. Até o início de 2012, as fardas dos soldados recrutas eram importadas da China e desbotavam após poucas lavadas.

A Estratégia Nacional de Defesa elencou entre os pontos-chave a proteção da Amazônia, o controle das fronteiras e o reaparelhamento da tropa, com o objetivo de obter mobilidade e rapidez na resposta a qualquer risco. Defesa cibernética e recuperação da artilharia antiaérea também estão entre os fatores de preocupação.

Um centro de defesa contra ataques virtuais começou a ser instalado pelo Exército em 2010, em Brasília, mas ainda é enxuto e não conseguiu impedir ataques a uma série de páginas do governo durante a Rio+20, em junho deste ano.

O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), iniciativa que busca vigiar mais de 17 mil quilômetros de divisas com 10 países, começará a ser implantado ainda em 2012, com um teste na fronteira do Mato Grosso do Sul com Paraguai e Bolívia.

Segundo o general Walmir Almada Schneider Filho, do Estado-Maior do Exército, a Força criou 245 projetos para tentar atingir os objetivos da Estratégia Nacional de Defesa. Ele afirma que os recursos, porém, chegam aos poucos.

Nos últimos 10 anos, a percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) investido em defesa gira em torno de 1,5%, segundo números do Ministério da Defesa - em 2011, o valor foi de R$ 61,787 bilhões. Durante a crise econômica, entre 2003 e 2004, o índice chegou a 1,43%. O maior percentual foi registrado em 2009, quando 1,62% do PIB foram destinados para o setor.

Em 2012, o Exército receberá cerca de R$ 28,018 bilhões, mas 90% serão destinados ao pagamento de pessoal. Desde 2004, varia entre 9% e 10% o montante disponível para custos operacionais e investimentos.

A ideia do ministro da Defesa, Celso Amorim, é elevar gradativamente os gastos com defesa para a média dos demais países dos Brics (Rússia, Índia e China), que é de 2,4%. Segundo afirmou em audiência no Senado, o objetivo é fazer o Brasil ter maior peso no cenário internacional.

"Nós perdemos nossa capacidade operacional, sabemos dessa defasagem. A obsolescência é grande. Por isso, um dos nossos projetos busca a recuperação da capacidade operacional. Até 2015, devemos receber R$ 10 bilhões só para isso", afirma o general Schneider Filho, responsável pelos estudos da END no Estado-Maior do Exército.

Falta munição

Dois generais da alta cúpula, que passaram para a reserva recentemente, afirmaram ao G1 que o Brasil não tem condições de reagir a uma guerra. "Posso lhe afirmar que possuímos munição para menos de uma hora de combate", diz o general Maynard Marques de Santa Rosa, ex-secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa.

"A quantidade de munição que temos sempre foi a mínima. Ela quase não existe, principalmente para pistolas e fuzis. Nossa artilharia, carros de combate e grande parte do armamento foram comprados nas décadas de 70, 80. Existe uma ideia errada de que não há ameaça. Mas se ela surgir, não vai dar tempo de atingir a capacidade para reagir", alerta o general Carlos Alberto Pinto Silva, ex-chefe do Comando de Operações Terrestres (COTER), que coordena todas as tropas do país.

"Nos últimos anos, o Exército só tem conseguido adquirir o mínimo de munição para a instrução. Os sistemas de guerra eletrônica (rádio, internet e celular), a artilharia e os blindados são de geração tecnológica superada. Mais de 120 mil fuzis têm mais de 30 anos de uso. Não há recursos de custeio suficientes", diz Santa Rosa. Ele deixou o Exército em fevereiro de 2010, demitido por Lula após chamar a Comissão da Verdade, que investiga casos de desaparecidos políticos na Ditadura, de "comissão da calúnia".

Segundo o Livro Branco, documento que reúne dados sobre a defesa nacional, o Exército possui 71.791 veículos blindados, a maioria deles comprados há mais de 30 anos. Apenas um é do modelo novo, o Guarani, entregue em 2012 e que ainda está em avaliação. Um contrato inicial de R$ 41 milhões foi fechado para a aquisição dos primeiros 16 novos carros de combate. No último dia 7, um novo contrato foi assinado para a aquisição de outras 86 viaturas Guarani, ao custo de R$ 240 milhões.

"Nenhuma nação pode abrir mão de ter um Exército forte, que se prepara intensivamente para algo que espera que nunca ocorra. A população tem que entender que é preciso ter essa capacidade ociosa, sempre, para estar pronto para dar uma resposta se um dia for necessário", defende o general Fernando Vasconcellos Pereira, diretor do Departamento de Educação e Cultura do Exército.

Riscos e ameaças

Para saber quais equipamentos, tecnologias e armas precisam ser compradas e que outras mudanças são necessárias, o Exército criou o Grupo Lins, que reúne uma equipe para prever cenários de conflitos ou crises - internos ou externos - em que a sociedade e os políticos possam exigir a atuação dos militares até 2030.

O objetivo é antever problemas, sejam econômicos, sociais, de segurança pública ou de calamidade, e saber quais treinamentos devem ser dados aos soldados até lá.

Nesses cenários, a Amazônia e as fronteiras estão entre as maiores preocupações. O texto revisado da Estratégia Nacional de Defesa, entregue pelo governo ao Congresso Nacional em 17 de julho, destaca "a ameaça de forças militares muito superiores na região amazônica".

Para impedir qualquer ataque, o Exército prepara o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), que, através de um conjunto de sensores, radares e câmeras, permitirá a visualização de tudo o que ocorre nas fronteiras em tempo real. Os equipamentos facilitarão a repressão ao tráfico de drogas e armas, ao contrabando e aos crimes ambientais. A previsão é de que o sistema esteja totalmente operando em 2024.

O alto valor que o governo pretende passar para o Sisfron - R$ 12 bilhões até 2030 – movimentou o mercado nacional e fez com que empresas se unissem buscando soluções para vencer a licitação em andamento. Entre as interessadas estão Odebrecht, Andrade Gutierrez e Embraer, que fizeram parcerias com grandes indústrias do setor.

Para o historiador e criador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Geraldo Cavanhari, o Exército está em transformação e precisa se adequar para os inimigos do futuro. "O inimigo, seja interno ou externo, agora está extremamente bem armado. Por enquanto, não temos ameaças explícitas, mas temos que cuidar da nossa casa e estar preparados para responder, caso seja necessário".

O general da reserva Carlos Alberto Pinto Silva diz que o problema continua sendo o orçamento. "Um coronel argentino me disse que eles aprenderam na guerra nas Malvinas que, se não existe a capacidade mínima de responder, não dá tempo para adquirir. Não adianta chorar depois", afirma.

Mudança de percepção

Estudioso da área, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ronaldo Fiani entende que a abertura democrática e a criação do Mercosul provocaram mudanças na forma da população conceber a proteção do país, Consequentemente, foram feitos cortes nos investimentos militares. "O fim da ditadura e a união dos países latinos fez com que houvesse enfoque em integração, com diminuição do investimento na área militar", explica.

Burocracia, crises financeiras e déficit fiscal também são entraves para maior disponibilidade de recursos. "A única forma dos militares receberem mais investimentos é se integrando à pesquisa acadêmica e às empresas, como ocorre nos países desenvolvidos", diz Fiani.

O general Walmir Almada Schneider Filho concorda com o professor. "No primeiro mundo, o povo tem a mentalidade de que defesa e desenvolvimento caminham juntos e complementam-se. Um impulsiona o outro. Nós não queremos chegar neste patamar [de país voltado para a guerra], mas criar uma mentalidade de defesa, para que o povo discuta o assunto", diz.

"Eu acho que a redução dos investimentos tem relação com o período militar e a própria mentalidade da população, que vê como melhor alternativa aplicar os recursos em outro setor fundamental, como saúde, educação, etc", acrescenta Schneider Filho.

"Não há um palmo sobre o território brasileiro que não esteja sob a responsabilidade de uma tropa do Exército. Somos a organização mais presente em todo o território e que tem meios de chegar o quanto antes em qualquer situação. Por isso, assumimos cada vez mais responsabilidades e temos que ter capacidade para atuar em situações de emergência", diz o general José Fernando Yasbech, também do Estado-Maior do Exército.

Yasbech se refere aos múltiplos empregos do Exército em ações civis dentro do país, como as operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), como a Constituição determina o emprego militar em casos graves de segurança pública. Além disso, o militares são convocados para o apoio em caso de enchentes, abertura de estradas, construção de pontes, distribuição de ajuda humanitária, apoio em eleições, combate à dengue e à aftosa, entre outros.

PROTEGER

Em 2012, mais uma linha de atuação está sendo aberta: os militares serão responsáveis pela defesa e proteção de infraestruturas estratégicas do país, como hidrelétricas, usinas nucleares, indústrias essenciais e centros financeiros e de telecomunicações a partir da criação do projeto Proteger. O programa terá recursos na casa dos R$ 9,6 bilhões e reunirá órgãos públicos dos estados e informações necessárias para prevenir, conter ou reprimir ataques ou acidentes nesses locais.

São mais de seis mil infraestruturas estratégicas existentes no país, sendo que 364 estão entre as mais críticas, conforme levantamento do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República.

"O trabalho será tanto no sentido de prevenir acidentes nessas estruturas como também de identificar riscos e, eventualmente, contê-los", diz o general José Fernando Yasbech, que responde pelo projeto.

O trabalho começará no Paraná, com a implementação de um centro de ação conjunta com polícia, Bombeiros e Defesa Civil para defender a Usina de Itaipu.

"O reaparelhamento das Forças Armadas vai além de apenas dizer que um país pacifista está tomando uma atitude de se tornar mais bélico. O emprego dos militares tem sido bem diferente nos últimos anos, seja em ações de defesa civil, de segurança pública, de apoio aos órgãos estaduais. E isso demanda alterações estruturais profundas na política, na mentalidade da população e em investimentos", diz Iberê Pinheiro Filho, mestre em Relações Internacionais e estudioso da Estratégia Nacional de Defesa.

Procurado para comentar a atual situação do Exército, o ex-ministro de Assuntos Estratégicos Roberto Mangabeira Unger, que escreveu o texto da Estratégia Nacional de Defesa, disse que se considerava "moralmente impedido de falar" devido à "relação íntima e especial com as ações e tarefas de que tratará a reportagem".

"Direi apenas o que escrevi na dedicatória de um livro que dei à biblioteca do Exército, por mãos do general que a comanda: o Exército brasileiro é a mais importante instituição do Brasil", afirmou Mangabeira Unger ao G1.

Já o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, que também assinou a END em 2008, disse que não iria comentar a situação, pois não ocupa mais o cargo.

Tahiane Stochero
http://www.defesanet.com.br/terrestre/noticia/7217/Sucateado--Exercito-nao-teria-como-responder-a-guerra--dizem-generais

Google Earth pode ter descoberto pirâmide gigantesca

Google Earth pode ter descoberto pirâmide gigantesca

Arqueóloga usou o Google Earth para fazer a sensacional descoberta daquilo que parece ser uma pirâmide três vezes maior que a grande pirâmide de Gizé.
A arqueóloga Angela Micol passou dez anos a investigar a bacia hidrográfica do Nilo, no Egito, e agora assinalou dois locais que apresentam inequivocamente a forma de pirâmides.
Segundo avança o jornal "The Sun", um dos locais assinalados revela o que parece ser a base de uma pirâmide, quase três vezes maior que a grande pirâmide de Gizé. Falta ainda confirmar se se trata efetivamente de uma pirâmide genuína o que, a confirmar-se, poderá ser uma das maiores descobertas arqueológicas de todos os tempos.
A arqueóloga norte-americana prepara agora uma expedição ao local para perceber exatamente o que é o misterioso local revelado pelo Google Earth. "Numa observação mais atenta, esta formação parece ter uma superfície lisa e numa curiosa forma triangular", diz, "as imagens falam por si próprias e é óbvio que os locais assinalados têm qualquer coisa, mas são necessárias pesquisas no local para perceber melhor do que se trata".
por Luís Manuel Cabral
http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2719384

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Bateria móvel que recarrega smartphones e tablets chega ao Brasil

A fabricante Innergie anunciou o lançamento no mercado brasileiro da bateria móvel Pocket Cell. O dispositivo serve para carregar gadgets como mp3 players, celulares, tablets, smartphones e outros equipamentos com alimentação USB, em qualquer lugar. Em janeiro, o produto foi destaque durante a CES 2012, e chega agora às lojas brasileiras pelo preço sugerido de R$ 199.
Pocket Cell, da Innergie, chega ao Brasil por R$ 199 (Foto: Divulgação)Pocket Cell, da Innergie, chega ao Brasil por R$ 199 (Foto: Divulgação)
Com um design simples e arrojado, o aparelho mede 9 cm, pesa 72 gramas e vem com o Magic Trio: trata-se um cabo para transferência de dados de 20 cm de comprimento que conta com as entradas micro USB, mini USB e a de 40 pinos (usada pelos aparelhos da Apple). Isso faz com que o dispositivo seja compatível com mais de 10 mil aparelhos, como GPS, e-readers, iPhones, iPads, iPods, câmeras digitais e vários outros produtos.
O acessório pode ser carregado em qualquer porta USB de computador ou até em uma tomada convencional. O dispositivo tem a capacidade de armazenar 3.000 mA de energia, que é o suficiente para carregar dois smartphones ou um tablet. Para que a  carga do Pocket Cell fique completa, são necessárias somente duas horas com o aparelho ligado em uma fonte de alimentação.
O produto é vendido em um kit contendo o Pocket Cell e um cabo Magic Trio, e pode ser encontrado em lojas de tecnologia como FNAC, iSonic, Microplus e CTIS.
Via My Innergie
FONTE: TechTudo

A inteligência da elite social brasileira

Será "o povo" o iognorante?

Um dos preconceitos mais firmemente bem estabelecidos no Brasil é aquele que afirma que a culpa de todos os problemas do país decorre da “ignorância do povo”. A elite social da população brasileira, formada pelas classes A e B, em linhas gerais, está profundamente convencida de que o seu status de elite social lhe concede – como um bônus – também o título de “elite intelectual” do país.

Dentro desse raciocínio, a elite brasileira “chegou lá” não apenas economicamente, mas também no que diz respeito às esferas intelectuais e morais – talvez até espirituais. O país só não vai pra frente, portanto, por causa dessa massa de ignóbeis das classes inferiores. Embora essa ideia preconcebida seja confortável para o ego dos que a sustentam, os fatos insistem em negar a tese do “povo ignorante versus elite inteligente”.

O motivo é simples de entender: em nenhum lugar do mundo, a figura genericamente considerada do “povo” se destaca como iluminada ou genial. Por definição, uma autêntica elite intelectual de um país se destaca, precisamente, por seu contraste com a mediocridade (aí entendida como “relativa ao que é mediano”). Ou seja, não é “o povo” que tem obrigações intelectuais para com a elite social, e sim, justamente o contrário: é preferencialmente entre a elite social e econômica que se espera que surja, como consequência das melhores condições de vida desfrutadas, uma elite intelectual digna do nome.

Analfabetos funcionais

Uma elite social que, intelectualmente, faça jus ao espaço que ocupa na sociedade, não apenas cumpre com o seu papel social de dar algum retorno ao meio que lhe deu as condições para uma vida melhor como, ainda, cumpre o seu papel de servir como exemplo – um exemplo do tipo “estude você também”, e não um exemplo do tipo “lute para poder comprar um automóvel tão caro quanto o meu”.

Tendo isso em mente, torna-se fácil perceber que o problema do Brasil não é que o nosso povo seja “mais ignorante”, pela média, do que a população dos Estados Unidos ou das maiores economias europeias. O problema, isso sim, é que o nosso país ostenta aquela que é talvez a elite social mais ignorante, presunçosa e intelectualmente preguiçosa do mundo, que repele qualquer espécie de intelectualidade autêntica precisamente porque acredita que seu status social lhe confere, automaticamente, o decorrente status de membro da elite intelectual pátria, como se isso fosse uma espécie de título aristocrático.

Nenhum país do mundo tem um povo cujo cidadão médio é extremamente culto e devorador de livros. O problema se dá quando um país tem uma elite social que é extremamente inculta e lê/escreve num nível digno de analfabetismo funcional. Pesquisas recentemente divulgadas dão por conta que apenas 25% dos brasileiros são plenamente alfabetizados, e que o número de analfabetos funcionais entre estudantes universitários é de 38%. A elite social brasileira possivelmente acredita que a totalidade desses 75% de deficientes intelectuais encontra-se abrangida pelas classes C, D e E.

Sem diferença

Será mesmo? Outra pesquisa recentemente divulgada noticiava que o brasileiro lê uma média de cerca de quatro livros por ano. Enquanto os integrantes da Classe C afirmavam ter lido 1,79 livro no último ano, os integrantes da Classe A disseram ter lido 3,6. O número é maior, como naturalmente seria de se esperar, mas a diferença é muita pequena dado o abismo de condições econômicas entre uma classe e outra. Qual é o dado grave que se constata aí? Será que o problema real da formação intelectual do nosso país está no fato de que o cidadão médio lê apenas dois livros por ano? Ou está no fato de que a autodenominada elite intelectual do país lê apenas quatro livros por ano? Vou encerrar o argumento ficando apenas no dado quantitativo, sem adentrar a provocação qualitativa de questionar se, entre esses quatro livros anuais, consta alguma coisa que não sejam os últimos e rasos best-sellers de vitrine, a literatura infanto-juvenil e os livros de dieta e autoajuda.

O que importa é ter a consciência de que o descalabro intelectual brasileiro não reside no fato de que o típico cidadão médio demonstra desinteresse pela vida intelectual e gosta mais de assistir televisão do que de ler livros. Ora, este é o retrato do cidadão médio de qualquer país do mundo, inclusive das economias mais desenvolvidas.

O que é digno de causar espanto é, por exemplo, ver Merval Pereira sendo eleito um imortal da Academia Brasileira de Letras em virtude do “incrível” mérito literário de ter reunido, na forma de livro, uma série de artigos jornalísticos de opinião, escritos por ele ao longo dos anos. Ou seja: dependendo dos círculos sociais que você frequenta, hoje é possível ingressar na Academia Brasileira de Letras meramente escrevendo colunas de opinião em jornais. Podemos sobreviver ao cidadão médio que lê dois livros por ano, mas não estou convencido de que podemos sobreviver a uma suposta elite intelectual que não vê diferença literária entre Moacyr Scliar e Merval Pereira.

“Vão ter que me engolir”

Apenas para referir mais um exemplo (entre tantos) das invejáveis capacidades intelectuais da elite social brasileira: na semana passada, o jornal Folha de S.Paulo noticiou que uma celebridade global havia perdido a compostura no Twitter após sofrer algumas críticas em virtude de um comentário que havia feito na rede social. A vedete, longe de ser uma estrelinha de quinta categoria, é casada com um dos diretores da toda-poderosa Rede Globo.

Bem, imagina-se que uma pessoa tão gloriosamente assentada no topo da cadeia alimentar brasileira certamente daria um excelente exemplo de boa formação intelectual ao se manifestar em público por escrito, não é mesmo? Pois bem, vamos dar uma lida nas sua singelas postagens, conforme referidas na reportagem mencionada:

“Almas penadas, consumidas pela a inveja, o ódio e a maledicência, que se escondem atrás de pseudônimos para destilarem seus venenos. Morram!”

“Só mais uma coisinha! Vão ter que me engolir, também f...-se, vocês são minurias [sic] e minuria [sic] não conta.”

Em quem se espelhar?

Não vou nem entrar no mérito da completa falta de educação dessa pessoa, que parece menos uma rica atriz global do que um valentão de boteco. Vou me ater apenas a dois detalhes. Primeiro: a intelectual do horário nobre da Globo escreve “minoria” com “u”, atestando para além de qualquer dúvida razoável que se encontra fora do grupo dos 25% dos brasileiros plenamente alfabetizados (ela comete o erro duas vezes, descartando qualquer possibilidade de desculpa do tipo “foi erro de digitação”).

Segundo: ela acha que “minorias não contam”, demonstrando, portanto, que ignora completamente as noções mais elementares do que vem a ser um Estado democrático de Direito, ou mesmo o simples conceito de “democracia” na sua acepção contemporânea. Do ponto de vista da consciência de direitos políticos, sociais e de cidadania é, portanto, analfabeta dos pés à cabeça.

Com os ricos e famosos que temos no Brasil, em quem o mítico e achincalhado “homem-médio” poderia mesmo se espelhar?

Referências:

>> http://www.band.com.br/noticias/educacao/noticia/?id=100000519730

>> http://oglobo.globo.com/educacao/brasileiro-le-em-media-quatro-livros-por-ano-revela-pesquisa-4436899

>>http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/06/jornalista-merval-pereira-e-eleito-para-academia-brasileira-de-letras.html

>> http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/1120355-mulher-de-diretor-da-globo-se-irrita-e-xinga-muito-no-twitter.shtml

***
Por Henrique Abel em 07/08/2012 na edição 706
[Henrique Abel é advogado e mestre em Direito Público]

FONTE: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed706_a_inteligencia_da_elite_social_brasileira