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domingo, 27 de maio de 2012

Políticos, corrupção e a "Lei de Gerson"

                                                                           
Tempos atrás, na televisão brasileira, em uma propaganda de cigarro o então jogador brasileiro de futebol Gerson terminava dizendo que se você fumasse tal cigarro "levaria vantagem, certo?". Aí começou a "Lei de Gerson": levar  vantagem.
    A enxurrada de corrupção que está sendo conhecida pelos brasileiros, escândalos vindo à tona dos subterrâneos enlameados deste país, em denúncias que surgem por vários cantos, mostrados pela imprensa, tem muito a ver com aquela "Lei de Gerson". Se o leitor examinar a fundo as motivações que levaram as pessoas, envolvidas nessas corrupções, a desejarem cada vez mais dinheiro extra, era a vontade, cheia de ganância, de "levarem vantagem" da função pública que exerciam, ou do cargo político para o qual foram eleitas. "Levar vantagem", desviando recursos públicos ou explorando outros que pagavam as propinas para também eles, "levarem vantagem" em alguma coisa. Chegou-se ao ponto, tempos atrás, no Senado brasileiro, de até um suplente de deputado mandar matar a titular para assumir o seu lugar, levando vantagem... Felizmente foi cassado. Parecia que ia se safar impune como tantos outros, como por exemplo o que ocorreu no Senado brasileiro, aquele "anão do Orçamento" que chegou a ridicularizar a inteligência brasileira, dizendo que a grande fortuna que amealhou era fruto de mais de 200 prêmios ganhos na loteria e aquele tal juiz que teve a coragem de afirmar que a sua fortuna veio de um tio que era alfaiate e não era produto de desvio das verbas da construção de certo prédio do Tribunal de Justiça em São Paulo...
    E a sociedade brasileira (ou seja, cada um de nós, você, eu...) assiste estarrecida à escalada gritante de corrupção em muitos lugares, em escalões diversos das administrações do país, em muitas esferas de poder. E o que é mais estarrecedor: quando um corrupto é pego, nega e mente descaradamente...
    Essa escalada de corrupção que ocorre na sociedade brasileira e em muitos outros países parece indicar a disseminação social de um comportamento sem ética que está afetando o relacionamento entre as pessoas, condicionando-as a, também elas, quererem "tirar uma casquinha" de alguma oportunidade levando vantagem, também elas... Isso tudo tem ocorrido porque a sociedade atual incentiva as pessoas a uma busca frenética de "ter" cada vez mais, em detrimento do "ser", com valores de vida distorcidos, valorizando somente o "ter cada vez mais vantagens" sobre os outros (bens financeiros, em especial, bens materiais, etc.) não importando se para isso, elas precisem agir de modo desonesto, utilizando meios escusos e pouco éticos ou lícitos. Em outras palavras, parece ser a disseminação de que "ser desonesto, conseguindo vantagens, é ter mais valor, é ser mais esperto do que os outros". Assim, com esses valores de vida distorcidos, as pessoas começam a olhar para as outras como se elas fossem "lobos que podem devorá-las", na frase do dramaturgo Plauto em 184 a.C., "Homo homini lupus", utilizada pelos filósofos ingleses Bacon e Hobbes indicando que "o pior inimigo do homem é o homem".
    Esse estado de coisas leva a refletir se a sociedade humana, espalhada em países pelo planeta Terra, ainda tem condições de ter seres humanos mais equilibrados e saudáveis e que ajam com caráter, honradez e eqüidade, sem terem a necessidade de "passarem por cima" de Leis, da ética, para levarem vantagem. Uma sociedade onde ser honesto, ter caráter e agir com responsabilidade seja a regra geral para as pessoas e não a exceção. Há muitos anos atrás o brasileiro Rui Barbosa (1849-1923), estadista, jurista, Ministro da Fazenda e embaixador do Brasil, já alertava em carta aos senadores da época: "A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação. A sua grande vergonha diante do estrangeiro, é aquilo que nos afasta os homens, os auxílios, os capitais. A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas. De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".
As novas gerações são sempre uma esperança de um mundo melhor, no futuro, já que elas assumirão os postos de comando deste planeta Terra.
Mas, para que as novas gerações possam evoluir de modo mais sadio e com características saudáveis de seres humanos, a sociedade de hoje precisa repensar os tipos de mensagens e exemplos que está dando às crianças e jovens, formando as suas personalidades. Isso "SE" a sociedade deseja realmente formar seres humanos saudáveis e felizes, mais responsáveis, mais equilibrados, autênticos e honestos, com princípios éticos, com valores onde não predomina o "ter cada vez mais", mas que haja valores em "ser cada vez mais" pessoas que mereçam ser chamadas de seres humanos.
(Se o leitor desejar aprofundar este aspecto, em especial o que pode fazer, como pai e educador, para dar uma boa formação aos mais jovens, poderá ler o nosso terceiro livro "Criança Feliz, Adulto Feliz" e o quinto livro, "Disciplina e a Educação para a Cidadania", livros encontrados pelo site www.editora-opcao.com.br)
    Costuma-se dizer que o Brasil é um país subdesenvolvido, mas a realidade tem mostrado que o problema do país e de tantos outros países considerados de "terceiro mundo", é uma submentalidade, é a acomodação das pessoas. Na realidade, o que falta ao Brasil (e aos outros países) são pessoas capazes e que tenham a decisão de fazerem bem a sua parte, que assumam a sua parte com responsabilidade pelas mudanças para uma sociedade mais saudável e equilibrada, e isso inclui erradicar a corrupção. É preciso que cada um, independente da atividade que realiza ou da posição que exerce, seja um Agente de Mudanças, em seu âmbito de ação. Se cada brasileiro (e cada pessoa, em outros países) fizer a sua parte, o melhor possível, certamente o país poderá chegar a ter uma sociedade mais equilibrada e ética, obtendo melhores resultados,seguindo regras de convivência mais sadias e não mais seguindo a "Lei de Gerson, levando vantagem". [...]
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(Antonio de Andrade - Escritor e jornalista, com formação em Psicologia, foi terapeuta por 15 anos e consultor organizacional na área de diagnósticos e treinamento comportamental de chefias, diretores e gerentes)
Publicado em: 03/08/2011
- em Artigonal

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